Colagénio – O papel na recuperação das lesões desportivas.

COLAGÉNIO

O colagénio é a proteína mais abundante do organismo, sendo responsável pela elasticidade e firmeza de tendões, ligamentos, tecidos conetivos e constituindo um dos compostos predominantes da matriz extracelular do músculo esquelético1,2.

SENSIBILIDADE À CARGA MECÂNICA

Sintese do calagénioO colagénio parece ser altamente sensível à carga mecânica decorrente da prática de desportos que envolvam acelerações e desacelerações frequentes ou que se caraterizem por constantes momentos de impacto3, que por sua vez se podem traduzir em danos estruturais das fibras musculares e da matriz extracelular circundante4.

Neste sentido, um estudo de Clark et al. (2008) demonstrou que a ingestão de 10 g de colagénio, numa toma única, resultou no aumento da sua síntese ao nível do tecido cartilagíneo do joelho, em atletas com historial de dor ou desconforto ao nível do joelho devido a stress mecânico, lesão ou no período pós-operatório5, enquanto a administração de 5 g de colagénio melhorou significativamente a perceção de funcionalidade em indivíduos com instabilidade crónica do tornozelo1.

AMPLITUDE DE MOVIMENTO

Mecanismo de síntese do colagénio
Collagen-synthesis.jpg – Wikimedia Commons

Do mesmo modo, num estudo recente de Shaw et al. (2017), a ingestão de 5 e 15 gramas de colagénio hidrolisado aumentou em 59 e 153%, respetivamente, a concentração do propeptídeo amino-terminal do colagénio tipo I em indivíduos submetidos a um programa de exercício intermitente 6. Mesmo doses baixas (40 miligramas) mostraram-se eficazes no aumento da amplitude do movimento do joelho e do período em exercício até a dor ocorrer, em indivíduos saudáveis com histórico de dor articular7.

O mecanismo subjacente não é bem conhecido, mas especula-se que esteja relacionado com o aumento da síntese de colagénio nos tecidos conectivos ao redor do músculo e na modulação da resposta inflamatória ao exercício, o que parece resultar na remodelação precoce da estrutura lesionada 4.

RESUMO

Em suma, e apesar de alguns trabalhos não encontrarem vantagens da utilização do colagénio (8, 9, 10, 11), os avanços recentes na compreensão do mecanismo de ação do colagénio, bem como alguns trabalhos com resultados promissores, proporcionam aos nutricionistas outra potencial ferramenta para o auxílio à recuperação de lesões desportivas ao nível de estruturas ligamentares, tendinosas, musculares e ósseas 7.

Autores

Pedro Francisco Alves Pereira
Licenciado em Ciências da Nutrição pela Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto (FCNAUP)
Nutricionista do Estoril Praia, Futebol – SAD
Nutricionista na Clinina Médica e Desportiva – ‘Athletika’
Desenvolveu a sua tese de licenciatura intitulada: “A influência da Nutrição nas Lesões Desportivas”
Colaborou com a Dragon Force – Foz e Olympiacos F.C.

António Pedro Mendes

Nutricionista do FC Porto
Coordenador da Unidade de Nutrição Desportiva da Clínica do Dragão – Espregueira-Mendes Sports Centre – FIFA Medical Center of Excellence
Nutricionista do Hospital Agostinho Ribeiro
Membro do Commitee de Nutrição Clínica da Ordem dos Nutricionistas

 

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REFERÊNCIAS

1 – Dressler, P., Gehring, D., Zdzieblik, D., Oesser, S., Gollhofer, A., & Konig, D. (2018). Improvement of Functional Ankle Properties Following Supplementation with Specific Collagen Peptides in Athletes with Chronic Ankle Instability. J Sports Sci Med, 17(2), 298-304.

2 – Kjaer, M., Langberg, H., Heinemeier, K., Bayer, M.L., Hansen, M., Holm, L., Doessing, S., Kongsgaard, M., Krogsgaard, M.R. and Magnusson, S.P. (2009) From mechanical loading to collagen synthesis, structural changes and function in human tendon. Scandinavian Journal of Medicine Science in Sports 19(4), 500-510.

3 – Gillies AR, Lieber RL (2011) Structure and function of the skeletal muscle extracellular matrix. Muscle Nerve 44(3):318–331

4 – Clifford, T., Ventress, M., Allerton, D. M., Stansfield, S., Tang, J. C. Y., Fraser, W. D., Vanhoecke, B., Prawitt, J., Stevenson, E. (2019). The effects of collagen peptides on muscle damage, inflammation and bone turnover following exercise: a randomized, controlled trial. Amino Acids, 51(4), 691-704

5 – Clark, K. L., Sebastianelli, W., Flechsenhar, K. R., Aukermann, D. F., Meza, F., Millard, R. L., Deitch, J. R., Sherbondy, P. S., Albert, A. (2008). 24-Week study on the use of collagen hydrolysate as a dietary supplement in athletes with activity related joint pain. Curr Med Res Opin, 24(5), 1485-1496.

6 – Shaw, G., Lee-Barthel, A., Ross, M. L., Wang, B., & Baar, K. (2017). Vitamin C-enriched gelatin supplementation before intermittent activity augments collagen synthesis. Am J Clin Nutr, 105(1), 136-143.

7 – Lugo, J. P., Saiyed, Z. M., Lau, F. C., Molina, J. P., Pakdaman, M. N., Shamie, A. N., & Udani, J. K. (2013). Undenatured type II collagen (UC-II(R)) for joint support: a randomized, double-blind, placebo-controlled study in healthy volunteers. J Int Soc Sports Nutr, 10(1), 48.

8 – Babraj, J. A., Cuthbertson, D. J., Smith, K., Langberg, H., Miller, B., Krogsgaard, M. R., Kjaer, M., Rennie, M. J. (2005). Collagen synthesis in human musculoskeletal tissues and skin. Am J Physiol Endocrinol Metab, 289(5), E864-869.

9 – Bello AE, Oesser S. Collagen hydrolysate for the treatment of osteoarthritis and other joint disorders: a review of the literature. Curr Med Res Opin2006;22(11):2221-32.

10 – Schadow, S., Siebert, H. C., Lochnit, G., Kordelle, J., Rickert, M., & Steinmeyer, J. (2013). Collagen metabolism of human osteoarthritic articular cartilage as modulated by bovine collagen hydrolysates. PLoS One, 8(1), e53955.

11 – Porfírio, E. & Fanaro, G. (2016). Collagen supplementation as a complementary therapy for the prevention and treatment of osteoporosis and osteoarthritis: a systematic review. Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia.

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